Existem dias na nossa vida que são, no mínimo, non sense. E tenho passado por tanta coisa maluca que, para um dia ser non sense, ele tem que se esforçar. E esse começa assim:
Saí mais cedo de casa, achando que teria uma reunião que foi desmarcada em cima da hora. Como já tinha feito todo o esquema: deixar filho na casa da mãe – dar dinheiro para o filho mais velho pegar ônibus – pegar carona com o namorado, resolvi aproveitar a deixa para fazer outras coisas.
E lá fui eu, de loja em loja, fazendo os meus contatos, resolvendo as pendências, deixando os meninos, conversando com supervisora – graças a Deus o Enzo não tem dado mais problema – e ainda discuti com meu mais velho que teima em achar que já esta estudando o suficiente, enquanto fica quase 5 horas vendo vídeo no you tube. Ufa!
De repende, a Igreja de Lourdes surge como o consolo das minhas lamúrias e me sento por um instante apenas sentindo o silêncio, absorta nos meus pensamentos. Peço luz e sabedoria para continuar a minha jornada e conseguir criar filhos bons e felizes. Fácil não tem sido, mas estou me esforçando.
De lá, passo na casa de uma grande amiga para pegar o convite do seu aniversário de 80 anos. Quero muito ter a sua energia e lucidez quando chegar nessa época da vida. Mas escuto, com o coração apertado, que até ela está com seus problemas, a mãe já muito idosa, internada em um asilo e de repente percebo uma certa amargura quando ela diz que a mãe a expulsou de casa. Gente, como assim? E agora a mãe está lá, dependente de todos e parece que as feridas estão expostas.
Me despeço com um abraço e a incumbência de levar o seu convite para outra amiga, tirando um pouco de tarefas dos seus ombros cansados. Mas nem assim, deixa de ir ao jogo do Galo… E hoje tem!
Lembro que ainda tenho que correr ao banco e de repente sinto um gosma pregando no meu pé e imagino que poderia ser um chiclete. Coloco o dedo sob o pé e entre ele e a sola percebo uma gosma verde que pela consistência e aroma nada tinham de chicletes. Fico com a mão paralisada, imaginando onde poderia me livrar daquele trem nojento e entro no banco igual um furacão procurando por um banheiro. Lavo as mãos vigorosamente, várias vezes e ainda uso o álcool em gel que está ao lado. Depois disso resolvido, percebo uma chuva forte se iniciando e me antecipo em direção ao ponto de ônibus. Mas antes, tinha que resolver o mistério do batistério do meu filho mais novo. Ele foi batizado, com direito a padrinhos vindos de Sampa, família reunida e tudo mais que um batizado tem direito. Mas o nome dele simplesmente não consta no livro da Igreja …Quer mais?

– Andrea, como que o nome do Enzo não está no registro?

– Ué, Carol…Será que você não falou com o Padre Diogo só e ele batizou o seu filho?

– Gente, mas…

E aí eu me lembrei que Padre Diogo fazia as coisas para mim mesmo sem medida. Desde o meu casamento, quando ele trocou o evangellho por uma citação, me liberou do curso de pais na hora de batizar o meu filho mais velho até…Batizar o Enzo sem um processo!

– Ok, mas o que eu faço?

– Me liga amanhã para conseguirmos uma certidão negativa.

Resolvido mais esse problema, corro para garantir meu ônibus, já debaixo de uma chuva torrencial.Chego ao ponto quase encharcada e ao meu lado senta-se uma velinha que poderia ser a avó doce de qualquer um de nós. Ela pergunta qual ônibus a levaria para o centro e pergunto exatamente onde ela quer ir. Ela me informa que qualquer lugar, pois de lá tem que pegar outro ônibus para chegar em casa. Detalhe: Ela é bem velinha e está sem sombrinha. Digo a ela que esse outro ônibus passa há alguns quarteirões de onde estamos e seria melhor pegar um ônibus só.
– Mas como, minha filha ,vou chegar até esse outro ponto sem sombrinha? Aqui perto não tem nenhum lugar que vende…
Olho ao redor na esperança de algum ambulante surgir ou loja de suplementos de informática de repente começar a vender sombrinhas para aquela senhora. Nada. Fico imaginando o seu cansaço, a vontade de chegar em casa e de repente me dá a louca:
– Fica com a minha!

– Mas como, minha filha, se nem te conheço! Como vou te devolver essa sombrinha?
– Não tem problema, próximo de onde vou descer vende sombrinha e eu compro outra. (Espero…)
– Muito agradecida, minha filha…
E foi assim…Fiquei vigiando essa senhora atravessar a Contorno com dificuldade e entrar na rua que eu havia indicado. Logo depois, passava o tal ônibus que iria levá-la para casa, mais seca e mais rápido do que eu. Peguei mais um tanto de chuva, mas não me importei. Percebi que depois da merda – quer dizer, da chuva – vem mesmo a bonança!

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