Há muito tempo não sofria tanto com uma partida de futebol. E não me emocionava tanto também. Na verdade, desde o pênalti que o Baggio errou e de repente criou uma onda de euforia inundando todos os brasileiros como se fôssemos um só! E ontem, mais uma vez, era um dia fadado a grandes emoções. Até maiores que as sentidas quando torcemos para  a seleção. Afinal, como disse o meu primo: ” Torcer pra seleção é obrigação.Torcer pro time do coração é uma doença sem cura, é paixão mal resolvida, é roleta russa. Nunca torci pro Brasil assim.

  E é mesmo uma doença. Sem cura. E com toques de sofrimento. O destino é caprichoso e queria que a conquista fosse doída, quase uma provação. Quase desistimos. Mas quem disse que atleticano desiste? Yes, WE CAM! Sempre. Desde a camisa no varal torcendo contra a tempestade até os olhos marejados de marmanjos vários lotando o Independência e rezando para todos os santos que se lembravam. Somos assim.

  3 minutos de jogo e um Bernard franzino e predestinado abre o placar anunciando boas novas. Independência vem a baixo, a torcida grita, a massa se levanta…E só dá Galo!!! E parece que vamos ganhar de balaiada. Mas o destino também é cruel. E os jogadores do Newell’s uns frouxas.  Cai, levanta, machuca. E o juiz – claro, temos que ter um juiz ladrão para chamar de nosso – ignora pênaltis e favorece o adversário sem dó nem piedade. Parecia um roteiro pronto, uma novela mexicana com todos os ingredientes que sempre fizeram a nossa história. E em um desses lances, nosso Jô sofre um pênalti – não dado – e machuca o goleiro. Ele cai e fica.

– Cadê a maca, gente? Brada um Ronaldinho enlouquecido

  Jogo parado, ânimos esfriados e o torcedor não acredita. Nunca vi tantos olhares para relógios, gestos de desespero, ponteiros aflitos. 1, 2 , 10 minutos. E o tal no chão, com médicos em cima suturando, costurando, sei lá mais o que. Cuca parece que vai infartar. A santa estampada na sua camisa fecha os olhos e faz uma prece. Precisamos de ajuda superior. Depois de uma eternidade o jogo recomeça. E logo acaba sem mais nem um gol.

  Esperanças renovadas, pois Cuca sabe conversar com seus pupilos e temos o intervalo para corrigir os erros e voltar ao ataque. Mas parece que nada aconteceu. Voltamos acuados, sem energia e os argentinos se aproveitam. Cavam faltas maldosas e partem para o que eles sabem fazer melhor: o futebol grosseiro e sem arte. E o atleticano sofrendo, implorando, rezando. De repente, não mais que de repente, as luzes se apagam. O jogo para mais uma vez. A santa na camisa do Cuca dá uma piscadinha e ele entende o recado. Fala com um a um dos seus guerreiros: A hora é agora! As luzes se acendem e a santa volta a brilhar.

 Chega a hora do tudo ou nada. Cuca conversa com seus auxiliares, confabula e encara o risco. Ele tem mais uma missão: Deixar outras estrelas brilharem. Num gesto ousado, ele substitui Bernard e Tardelli e passa a luz adiante. Entra Alecsandro e Guilherme, o nosso iluminado. De uma bola perdida, ele acha o canto do gol em meio à multidão branca e vermelha. O Independência parece desmoronar…Voltamos a acreditar! 2 a 0 ainda nos dá a chance de ir para a final.

  Para o desfecho perfeito, eis que surge o último ingrediente: a sorte.Vamos para os pênaltis. Incerteza lançada nos pés dos nossos heróis. Nessa hora, já não me importava mais nada. Pra mim, o Galo já era campeão.De tudo! E nas minhas contas, pelo menos de 4 a 0. Cuca retoma as conversas, os jogadores estudam o adversário e as orações agora são para um novo santo: São Victor. Da arquibancada, podemos escutar os corações batendo descompassados, as unhas sendo roídas, as lágrimas quase caindo dos olhos. Por que tanta provação, meu Deus?

  Jogadores enfileirados e as cobranças começam. Alecsandro marca. O outro time também. Guilherme – nosso segundo santo a ser canonizado – faz um golaço. Idem do outro lado. Jô – por que, Deus? – perde. E um tal de Casco – obrigada Deus! – perdeu também. Richarlyson bate cruzado e nada. Sorte que o tal Cruzado do outro time também erra. Nesse instante, me lembrei do Baggio. Ele tinha o mesmo rabinho de cavalo que o goleiro Guzmán ostenta.Tão ridículo quanto.  Seria um presságio? Ronaldinho chuta. Marca com elegância. Faz reverência a torcida. E a gente reverencia o Ronaldinho!!! Era sim um presságio. A santa na camisa do Cuca agora pisca para Victor. Ele respira fundo e pisca de volta. Os santos se entendem…E realizam milagres!

  De repente, somos uma torcida só. A massa do Independência entra nas nossas casas e comemoramos como se estivéssemos no campo. A alegria moleque dos jogadores, as pernas felizes de Bernard, as lágrimas contidas nos olhos dos nossos heróis que desmoronam. Não tem mais distinção: Somos atleticanos. Simples assim. Crianças, velhos, homens e mulheres. Todos se abraçam, choram, sorriem. Valeu a pena acreditar. Sofrer. Perder todas as unhas das mãos. Quase infartar em meio a tanta emoção. Torcedor do galo tem coração forte. Tem esperança infinita. Tem brilho nos olhos e alegria na alma. E tem uma chance imensa de ser campeão da Libertadores…Que venham os paraguaios!!!

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