Há algum tempo atrás resolvi entrar no Tinder depois de ver amigos e amigas se deixando levar por essa onda e marcando encontros quase diários com ilustres desconhecidos. Fiquei absolutamente curiosa em entender o mecanismo por trás dessa fissura e baixei o tal aplicativo. Coloquei uma foto bacana, uma descrição leve e comecei a brincar de incluir e excluir pessoas da minha vida.

E é lógico que o primeiro quesito foi a aparência, senão o aplicativo não teria tantas fotos. Idade e local também foram importantes, afinal, não queria me aventurar com rapazes que não sabem o que foi a febre da discoteca ou, ao menos, o que significa mullet. Não teria conversa com alguém muito mais novo do que eu. Talvez só sexo. E quanto mais perto, mais fácil, afinal o trânsito não ajuda, muito menos o preço da gasolina para o tal ficar percorrendo quilômetros para me ver.

Ok. Feito isso, comecei também a receber likes e o mais interessante era quando os dois se curtiam. Baseado em que? Aparência, gostos, amigos em comum, algo que facilita a vida nesses tempos modernos. Gosto de jazz, você também? ÓTIMO! Gosta de funk? PRÓXIMO! E o bate papo rolava, normalmente em duas ou três frases seguida do pedido do whatsapp. Por que? Lá é melhor para conversar. Ok

E fui para o whatsapp com alguns homens até interessantes e vou contar exatamente o que me fazia desistir e até bloquear alguns. O primeiro item da minha lista sem dúvida é o erro de português. Pode parecer frescura, mas erros grotescos tiram completamente o meu tesão. Papos vazios também , quando o cara faz uma pergunta e não tem mais nada para acrescentar. É como se aquele feno dos desenhos animados percorresse o meu whatasapp:
– O que você faz?
– Trabalho com moda
– ………………………

O mais louco eram os que se achavam. Recebia recados assim:
– Estou agora no Pátio Savassi, vamos encontrar?
Nem se fosse o Brad Pitt. Primeiro que o encontro é uma arte e merece – e precisa – ser tratado como tal. Existe uma preparação, um envolvimento, um antes para ter o durante e o depois. Segundo, quem esse tipo de cara pensa que é para imaginar eu saindo da minha casa correndo para encontra-lo sei lá aonde? É muito ego!

O papo mais legal foi com um cara que foi sincero do começo ao fim e se colocou de uma forma super bem humorada. Para não ficar com conversa fiada ele fez um resumo interessante da própria vida e deixou em aberto para que eu falasse da minha. Chegamos a nos encontrar, mas tenho que confessar que não rolou química. Poderíamos até ser grandes amigos, mas ele simplesmente me ignorou depois desse dia. Deve ter as razões dele. Ou a próxima foto foi mais interessante.

O outro que conheci foi mais além e tivemos um pequeno relacionamento. Beijo bom, saímos algumas vezes, até conheci o filho e tivemos uma conexão bacana. Até o dia em que ele começou a falar mal de um dos lugares que mais amo…
– Maleta é lugar de gay e doido!
Oi? Então eu devo ser muito gay e muito doida, pois conheço todo mundo naquele lugar! Não gosto de pessoas preconceituosas e um homem que não convive bem com homossexuais – e gente louca – não cabe na minha vida. Simples assim.

No meio disso tudo, fui questionada por um ex usuário do Tinder sobre o que as mulheres querem lá. Acho que, acima de tudo, companhia. E não só as mulheres. Os homens estão cada dia mais carentes. O motivo pode ser só sexo, namoro ou até casamento. Mas no fundo, todos nós queremos alguém. Virtual ou não.

– Mas porque as mulheres somem? – Ele me pergunta curioso.

Por todos esses motivos. Talvez não rolou uma química, seu papo é ruim ou simplesmente a foto seguinte era mais interessante. Tudo ficou muito superficial e simplesmente não consegui achar saudável ficar selecionando pessoas a bel prazer e partir de um para outro como se fossem fichas catalogadas. As coisas não funcionam assim e talvez esse seja o grande motivo dos relacionamentos durarem menos do que as mini séries. Se um não me agrada, para que perder tempo se tem uma próxima foto me esperando com novas e – talvez – boas oportunidades?

No fim, cheguei a conclusão que não quero começar algo através de aplicativos para o amor, mesmo tendo notícia de um bebê que recebeu o nome de Tinder por ser fruto de um relacionamento que começou lá. Excluí a minha conta – nem adianta me procurar – pois ainda acredito no olho no olho, no frio na barriga, no “aceitar os defeitos” e construir algo real juntos. Sou do tempo em que ficávamos ao lado do telefone fixo – alguém ainda tem isso? – esperando aquele convite para sair no sábado à noite. E, se não rolasse, ainda tínhamos a chance de encontrar nas festas e eventos – que na época eram poucos – e esbarrar na pessoa dos sonhos para conseguir a tão esperada atenção.

É, acho que os 40 me deixaram nostálgica. Queria voltar a acreditar em tudo que faz com que um relacionamento realmente perdure. Mas em meio a Tinder´s, whatsapps e traições, acho difícil. Basta um clique para marcar um encontro, uma imagem para desejar o outro, um vacilo para perder o interesse. E no meio de tanta informação nova e outras chances, aposto nos meus gatos. Eles ainda são a melhor opção.

DICA:

MULHERES: Colocar fotos sensuais no Tinder dá – sim – a entender que você só quer sexo e deve até cobrar por isso. E exigir demais do homem, tipo: Quero um homem sincero, carinhoso, que tenha bom humor, seja alto, magro, com olhos claros e goste de cachorro…vai afugentar bons pretendentes. Ninguém é perfeito, nem no mundo virtual muito menos no real. Isso vale para ambos os sexos, viu rapazes com tanquinhos de fora?

HOMENS: Antes de tirar a foto para colocar no Tinder se assegure de que a aliança não está aparecendo. E lembre-se: Se você está no aplicativo, a amiga da sua esposa – ou até mesmo ela – também pode estar. No mundo virtual não tem para onde correr, bebê!

AMBOS: Marquem sempre o primeiro encontro em lugares públicos e movimentados. Avise um amigo ou parente onde vai e, se possível, mande uma mensagem com a placa do carro e nome do pretendente. Se for rolar algo a mais, não se esqueça da camisinha. Segurança sempre!

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2 comentários sobre “Tinder e eu

  1. “um antes para ter o durante e o depois” – perfeito! Ah, a propósito, 21 anos aqui, e tenho a mesma nostalgia que você e até de situações que nem vivi… (telefone fixo, ligação e convite inesperados…). Ótimo texto.

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