Existe sempre um torpor que ronda o primeiro encontro. Leve. Uma semi embriaguez. Desde o primeiro roçar de bochechas, a mão tímida na cintura, o desajeito dos beijinhos. 1,2? Ah, 3 é para casar. Já?

E não importa o lugar, quando e nem como. Desde sempre, o primeiro encontro é um marco. E pode ser o início de tudo ou apenas mais um. Pode se tornar aquela história engraçada que contamos aos amigos e talvez para os netos de como tudo começou. Ou simplesmente esquecido dentre tantos outros primeiros encontros.

Mas ele sempre terá um algo a mais. As mãos que não sabem por onde vão, os assuntos que se desencontram, coxas que se tocam..

– Desculpa…Rs..

– Imagina!

Os olhares que fogem de um encaramento e se viram contemplando o céu ou procurando assunto em situações corriqueiras… Ah, primeiros encontros!

Quando achamos que o destino está ali, tramando, só esperando para unir os nossos corpos…Ah, pobres almas! Ficamos como bobos inocentes durante a arte da conquista. O homem, como sempre, mostrando seus atributos como um belo pavão. Carros, viagens ou conhecimento. Vale tudo para impressionar. E a mulher conferindo o decote para não parecer vulgar demais nem pudica de menos, ao mesmo tempo que fica imaginando qual prato é mais elegante para ser devorado, se algum vai deixar fiapos nos dentes…Meu Deus, que prato é esse? Se eu pedir salada será que ele vai me achar fresca? Mas se encarar um churrasco, vou parecer um peão! E para beber? Tenho que me controlar, duas taças de vinho no máximo! Tequila nem pensar, não respondo por mim!

Ah, primeiros encontros…Dia de sorrisos amarelos, mãos perdidas, coxas insistentes…

– Desculpa de novo!

-Tô adorando…

Aquele calor que invade, o perfume novo que inebria os sentidos, olhares se cruzam, pensamentos voam…E cada frase pode ser analisada, arriscada, comedida. Será que eu falo que a minha família é maluca? Que eu quero ter três filhos? O que eu falo para parecer mais normal? E afinal, quem é normal?

Ah, primeiros encontros…

No fim, toda a apreensão passa – seja pelo tempo ou pelas taças de vinho – a noite se torna perfeita, mas aí vem a dúvida: Beijo ou não beijo? De leve ou demoradamente? Sinto a pele macia das costas em um movimento rápido ou me atenho a levar a mão dele até a minha cintura impedindo-a de descer? Posso mais? Suspiro em sua orelha e me afasto. Quero mais. Mas não agora. E os sonhos se tornam leves enquanto o perfume dele na sua pele faz tudo valer a pena.

Ah, primeiros encontros…

E o depois? Aquele olhar incessante no telefone, esperando qualquer símbolo aparecer para mostrar que há, sim, uma nova mensagem. Que ele quer de novo. Que você não pareceu tão maluca assim. Que entre o primeiro beijo e o último suspiro, alguma coisa você fez certo. Ele te escolheu para um próximo dia de mais arrepios na nuca. De mais perfumes deliciosos e mãos perdidas. Não. No segundo encontro as mãos já se encontram. E as coxas também.

 

 

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