Há muito anos atrás, ouvi essa frase de um especialista no assunto: meu primo mais velho.Estávamos no auge das festas e ficadas, com mil pessoas nos querendo e brincando muito com tudo isso.  Ficávamos com quem a gente quisesse sem pensar no depois, sem precisar de nome nem de telefone. Whatsapp era uma realidade distante e estávamos em um momento de curtição. Lógico que essa fase passou , junto com a nossa fome por novidades e fomos nos colocando com outra postura diante da vida.

Me casei, tive meus filhos e ele também se casou. Certo ou errado, estabelecemos alguns laços e vínculos que duraram até o momento que tinham que durar. Não acredito no FELIZES PARA SEMPRE e nos separamos. Em épocas diferentes, mas vivemos todas essas experiências.

E como todo fim de relacionamento pede um período de esbórnia, mesmo curto, para reaprendermos a arte da conquista e readquirir auto confiança – o que mais perdemos em todo fim de relacionamento – tivemos as nossas novas fases de solteiros. E nessa fase, ou seja, a solteirice depois de um compromisso sério, fui percebendo a monogamia,como a conhecemos hoje, está com seus dias contados

Pausa de suspense.

Verdade. Mesmo. E olha que eu conheço muita gente. E posso dizer que, mesmo em um casamento onde as pessoas se dizem felizes e satisfeitas com o parceiro, ainda assim, existe a olhada para o lado. Não existe mais um ser que se dedique apenas a outro ser. Mesmo que jure pela mãe mortinha. Sorry! Talvez os meus pai. Talvez.

E quando eu digo isso, não estou apenas jogando fatos. Converso muito, percebo mais ainda e a cada dia as justificativas para a tal “pulada de cerca” são mais elaboradas. Alguns se valem de argumentos históricos e sociais para justificar o tesão que já é, em si, uma boa justificativa. E fazendo uma breve pesquisa, me deparei com essa frase: “Segundo cientistas, a monogamia não é algo natural, considerando a quantidade de espécies que a pratica.” Apenas 5% dos animais de sangue quente são monogâmicos! Ok, animais irracionais que desenvolveram a monogamia para proteger os filhotes e tinham um relacionamento baseado em localização e oferta. Ou seja: Já que estamos aqui mesmo e você me agradou, para que mudar?

Dos homens das cavernas para cá, muita coisa mudou e os interesses que norteiam a monogamia começaram a ser muito mais econômicos do que afetivos. Sempre que um rei se casava e não deixava herdeiros, seus bens iam para a igreja. Daí a expressão “Felizes para sempre” ou seja, podia se casar apenas uma vez! Além disso, o celibato foi uma invenção da igreja para que seus bens não fossem divididos. Até o Papa hoje já afirma que o celibato não é um dogma e, com certeza, se não existisse, teríamos salvo muitas crianças dos abusos cometidos por padres. Ou seja: Fazer sexo com uma pessoa só ou não fazer sexo é contra a natureza humana.

Em contrapartida, a poligamia já foi descrita na bíblia, está presente em várias religiões, aconselhada por Lutero e até por Santo Agostinho. Nem sempre incentivada, mas nunca recriminada.  Os homens poderiam  ter quantas mulheres pudessem sustentar. Os homens, claro! As mulheres ainda são apedrejadas por adultério. E os judeus, provavelmente não queriam ter mais de uma mulher para também não dividirem a sua riqueza. O que faz com que muitas pessoas continuem infelizes e vivendo de aparências em relações já falidas. E aí?

Bem, separar não é uma coisa é fácil. Uma mulher precisa ter muita coragem para se separar. (Quando eu falo mulher, é porque a maioria dos pedidos de separação partem delas.) Até ´pouco tempo atrás, o homem tinha o DIREITO de matar uma esposa infiel. Querendo ou não, uma mulher cristã tinha a obrigação de se submeter a todos os caprichos do marido. Nem satisfeita sexualmente ela era, pois o sexo era apenas para a procriação. Prazer era nos prostíbulos, onde eles tinham as suas preferidas.E com isso, matou-se e morreu-se muito em nome do amor.E do prazer.

Com a legalização do desquite, o advento da pílula, os diretos da mulher, ganhamos também o direito ao prazer. Teoricamente. Uma mulher separada  ou muito “pra frente”ainda é encarada como uma ameaça por aquelas que acreditam que só existe vida com um homem ao seu lado. Mal sabem elas que os maridos já tem as suas escolhidas em prostíbulos, locais de trabalho, no futebol das quartas…E o que uma mulher separada menos quer é ser amante de alguém. Ela teve a coragem que a outra não teve e não vai mais se submeter.E é aí que entram os novos relacionamentos.

Ok, a monogamia pode não ser natural. E em tempos de whatsapp e tinder, se tornou quase impossível. E não ter compromisso com ninguém é muito mais fácil. Não é necessário muita dedicação, conhecer família, ser aprovada pelos amigos. Cada dia é uma farra diferente, uma pessoa que supre uma necessidade diversa, um papo novo, um novo perfume, um beijo cheio de novidades. Pra que mais?

Mas também tem as suas desvantagens: Você vai precisar de mais tempo, mais dinheiro e mais memória. Tempo para se dedicar –  pelo menos um pouco – a várias pessoas, grana para se divertir com todas elas e memória para não trocar os nomes. Sugiro dar o mesmo apelido carinhoso, facilita bastante. E as datas importantes – caso haja – podem ser arquivadas no celular. Mas isso é o de menos. Com toda essa tecnologia, não tem como disfarçar muito. Ou evitar encontros desagradáveis.Será que o outro vai entender essa poligamia? Será que essa conversa realmente acontece quando se escolhe essa vida? Só se for única e exclusivamente sexo. E nada mais. Mesmo?

Com todas as justificativas e facilidades, será que é isso mesmo que queremos? Será que perdemos a necessidade de pertencer a outro? Não no sentido de posse, mas no sentido de ter alguém. Para o antes e o depois do sexo. Para assistir um filme ou simplesmente conversar. Para contar como foi o dia, dividir as alegrias e superar as tristezas. Ter alguém que se encaixe da coxa ao coração. Onde isso se perdeu? Será que só o tesão conta? Ou será que já separamos tanto que queremos o amor em um e o sexo em outra? Pode coexistir uma pessoa para cada necessidade?

Suponhamos que sim. Temos alguns relacionamentos e cada um deles nos supre de determinada forma. E todos sabem de todos. E aí, a mente nos trai. Imaginar que na noite anterior o homem que deita ao meu lado teve seu corpo suado junto a outra mulher. Sentir o beijo da sua mulher e lembrar que na hora do almoço ela pode ter encontrado com o outro e dado uma escapado para o motel. Talvez por isso ela esteja tão bonita naquela noite. Você encara?

SIM? Então preste muita atenção em apenas mais um coisa: Lembra da monogamia alternada que comecei a falar no começo do texto? PRATIQUE-A! Ela nada mais é do que você se dedicar a uma pessoa de cada vez. Quando você está com alguém, seja por sexo ou amor, desligue o celular, esqueça o mundo lá fora e olhe nos olhos. Ouça o que essa pessoa tem a dizer. Beije com a alma. Seja inteiro, mesmo com vários pedaços soltos por aí. Seja verdadeiro em cada relacionamento que tiver. Quem sabe um dia você consiga unir todas essas partes que você tanto procura em uma única pessoa. E talvez essa valha a pena.Na monogamia alternada ou na simples rotina do dia a dia.

Boa  sorte!

 

 

 

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Um comentário sobre “Monogamia Alternada

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