Não, não. Esse não é um texto de auto ajuda, muito menos um manual de como superar o fim de um relacionamento. É a constatação pura e simples do que vem acontecendo nos dias de hoje. O fim desse período de fossa, em que homens e mulheres ficavam deprimidos, tristes, comendo sorvete e vendo filmes românticos na TV esperando o próximo amor chegar. Ok, mais mulheres do que homens faziam isso. Mas, de qualquer forma, acabou.

Claro que ainda tem gente que sofre por um grande amor perdido, mas o tempo de espera entre um romance e outro acontecer diminuiu ao máximo. Acho que pelo excesso de maneiras de se encontrar pessoas, pela agilidade dos dedos e fotos nos whatsapps, tudo ficou rápido e fácil demais. O amor da sua vida se torna mais um em um piscar de olhos e outro surge de maneira quase instantânea em um próximo aplicativo. Somos incapazes de amar de verdade?

Acho que a falta de tempo e o excesso de informações criou em nós uma quase insensibilidade. Nos tornamos excessivamente práticos  porque não temos tempo a perder. E muito menos com coisas do coração. Não dá para ser sensível e eficiente, precisamos estar à frente do nosso tempo e nada pode nos atrapalhar. Sofrer por amor? Perda de tempo.

E vamos construindo grandes vazios que nunca conseguirão nos satisfazer plenamente. Se estamos frustrados no casamento, preferirmos arrumar um amante a conversar e esclarecer a situação. Se levamos um bolo ou terminamos um relacionamento, simplesmente procuramos o próximo entre os contatos do facebook ou brincamos com as fotos do Tinder. Se a semana tem 7 dias, porque ter só um?

Entramos e saímos de relacionamentos abertos, namoros, compromissos e até mesmo casamentos com a mesma facilidade e rapidez. Nada mais parece realmente importar, não faz diferença. Uma simples ficada pode ter até mais valor do que um relacionamento que já dura anos, pois o desrespeito não escolhe status. Alianças, fotos do casal no facebook, filhos…pura ilusão.

Mas eu ainda acredito que, como tudo nessa vida que teve seu momento fast, o amor vai voltar a ser slow. Consumimos roupas, alimentos e pessoas em uma velocidade voraz, mas já percebemos que, para ser sustentável, temos que degustar. Saber de onde veio uma roupa, preparar um alimento com carinho, tratar o bem amado como se fosse para sempre. A vida é um ciclo e chegamos ao limite da loucura. Precisamos suspirar mais, curtir contatos doces, parar um pouco.

Eu já parei de comprar Forever 21. Parei de comer Mac Donalds. Só falta me apaixonar.

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