Muito se fala hoje no tal do relacionamento aberto. Namorados, ficantes, casados. Todo mundo parece que aderiu a nova onda. E comecei a me perguntar o porque dessa moda. E me lembrei de um discurso fantástico de Xico Sá e Mario Sergio Cortella onde eles diziam que vivemos com um excesso tão grande de informações, que vai se sobressair quem conseguir filtrar o que realmente importa. Se nem jornais  – antes renomados – conseguem divulgar só o que interessa, devemos ser reais curadores do que nos é mostrado.

E se colocarmos isso no mundo dos relacionamentos, começamos a entender a dispersão atual. Quando entramos em um site e ele não nos oferece o que desejamos, mudamos para outra tela com um simples clique. Da mesma forma, se um pretendente nos dá um bolo ou não beija bem, temos aplicativos vários ao alcance das mãos para encontrar um outro príncipe encantado. Simples assim.

E isso tudo é muito novo. Há uns 30 anos atrás, para se conhecer alguém era necessário esperar uma festinha. Normalmente a turma da escola fazia aquela famosa onde as meninas levavam os doces e salgados e os meninos os refrigerantes. Já começava errado, mas tudo bem. E esperávamos essa festinha com o entusiasmo de uma manhã de Natal. Lá, tínhamos sempre os preferidos e esperávamos ser tiradas para dançar. O que quase nunca acontecia comigo, mas tive momentos de sorte.

Se o números de telefones eram trocados, esperávamos ansiosas o aparelho – fixo, único, que ficava no corredor da casa – tocar. E o pai não atender. No meu caso, como me chamo Caroline, todo mundo que ligava procurando a Carol tinha o seu acesso negado. Meu pai simplesmente dizia que não tinha ninguém lá com esse nome e meu príncipe encantado se amedrontava e subia novamente no seu cavalo branco. E partia. Será que algum deles era o meu pretendido?

E eu esperava novamente outra festa, onde talvez estivesse mais atraente, mais interessante e até mesmo mais esperta para depois atender ao telefone na frente do meu pai. Ou alertar o garoto a falar o meu nome completo. Hoje, nome é apenas um mero detalhe.  Ficamos, desficamos,  não queremos aprofundar em nada e o máximo que rola é mais um número no whatsapp.

Se na minha épocas as TV’s nos mandavam dormir a meia noite, com uma série de listras coloridas, hoje nossos celulares nos acordam no meio da noite com mais uma mensagem surgida sei lá de onde. O facebook que atualiza, um novo grupo que surge e milhões de pessoas se conectam sem cessar. Ser fiel como? Pra que? O mundo é vasto e cabe na palma da minha mão. E me esqueço de ser curadora do meu próprio coração.

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