O que você quer de mim?

Cheguei aos 40 anos e não entendo mais o que os homens esperam de uma mulher dessa idade. Os mais novos, dos 30 e até 20 chegam em mim como se fosse a salvação da sua pátria. Os mais velhos me imaginam um menina quase inocente… Oi?

Tudo bem que não pareço ter 40 anos, mas namorar um cara de 20 e poucos? Qual seria a conversa? Ou será que ele não quer nem conversar? Como lidar com alguém que nem ao menos sabe o que foi o movimento Diretas Já além do livro da escola? Não tenho paciência.

E os mais velhos? Me veem como uma mulher madura, mas com o corpo em cima e e ainda uma possibilidade de juventude. Querem proteger, cuidar, como se fossem pais.Ainda não entendi a real necessidade, mas parece um quase complexo.E ainda por cima não admitem que você pague nada. Freud explica!

No meio do caminho, tem aqueles da sua idade que te querem como igual. O sexo é bom, a conta é dividida e a pessoa acha que encontrou o paraíso. Se sente no direito de fazer o que quer, na hora que quer e ainda se gaba de não gostar de compromisso.  E isso é vantagem porque…

Aviso aos navegantes: Uma mulher de 40 anos não tem mais ilusão. Ela tem verdades. As suas verdades. Muito além de conceitos, uma mulher de 40 pensa única e exclusivamente nas suas necessidades. Normalmente ela já criou filhos, tem uma carreira, realizou alguns sonhos, levou vários tombos da vida e agora quer ser feliz. Com ou sem um homem. Com um ou com vários. Ou até com outra mulher.

Então, bebê, não se sinta a última bolacha do pacote. Até mesmo porque, 40 anos pede uma dieta de vez em quando. Podemos preferir algo sem carboidrato e com sotaque francês.  Se quiser acompanhar uma mulher de 40, seja homem de verdade, se entregue por inteiro. Estamos na metade da vida, mas já temos o dobro do seu conhecimento. E o que mais tem por aí é gente sedenta de conhecimento…

 

 

Monogamia Alternada

Há muito anos atrás, ouvi essa frase de um especialista no assunto: meu primo mais velho.Estávamos no auge das festas e ficadas, com mil pessoas nos querendo e brincando muito com tudo isso.  Ficávamos com quem a gente quisesse sem pensar no depois, sem precisar de nome nem de telefone. Whatsapp era uma realidade distante e estávamos em um momento de curtição. Lógico que essa fase passou , junto com a nossa fome por novidades e fomos nos colocando com outra postura diante da vida.

Me casei, tive meus filhos e ele também se casou. Certo ou errado, estabelecemos alguns laços e vínculos que duraram até o momento que tinham que durar. Não acredito no FELIZES PARA SEMPRE e nos separamos. Em épocas diferentes, mas vivemos todas essas experiências.

E como todo fim de relacionamento pede um período de esbórnia, mesmo curto, para reaprendermos a arte da conquista e readquirir auto confiança – o que mais perdemos em todo fim de relacionamento – tivemos as nossas novas fases de solteiros. E nessa fase, ou seja, a solteirice depois de um compromisso sério, fui percebendo a monogamia,como a conhecemos hoje, está com seus dias contados

Pausa de suspense.

Verdade. Mesmo. E olha que eu conheço muita gente. E posso dizer que, mesmo em um casamento onde as pessoas se dizem felizes e satisfeitas com o parceiro, ainda assim, existe a olhada para o lado. Não existe mais um ser que se dedique apenas a outro ser. Mesmo que jure pela mãe mortinha. Sorry! Talvez os meus pai. Talvez.

E quando eu digo isso, não estou apenas jogando fatos. Converso muito, percebo mais ainda e a cada dia as justificativas para a tal “pulada de cerca” são mais elaboradas. Alguns se valem de argumentos históricos e sociais para justificar o tesão que já é, em si, uma boa justificativa. E fazendo uma breve pesquisa, me deparei com essa frase: “Segundo cientistas, a monogamia não é algo natural, considerando a quantidade de espécies que a pratica.” Apenas 5% dos animais de sangue quente são monogâmicos! Ok, animais irracionais que desenvolveram a monogamia para proteger os filhotes e tinham um relacionamento baseado em localização e oferta. Ou seja: Já que estamos aqui mesmo e você me agradou, para que mudar?

Dos homens das cavernas para cá, muita coisa mudou e os interesses que norteiam a monogamia começaram a ser muito mais econômicos do que afetivos. Sempre que um rei se casava e não deixava herdeiros, seus bens iam para a igreja. Daí a expressão “Felizes para sempre” ou seja, podia se casar apenas uma vez! Além disso, o celibato foi uma invenção da igreja para que seus bens não fossem divididos. Até o Papa hoje já afirma que o celibato não é um dogma e, com certeza, se não existisse, teríamos salvo muitas crianças dos abusos cometidos por padres. Ou seja: Fazer sexo com uma pessoa só ou não fazer sexo é contra a natureza humana.

Em contrapartida, a poligamia já foi descrita na bíblia, está presente em várias religiões, aconselhada por Lutero e até por Santo Agostinho. Nem sempre incentivada, mas nunca recriminada.  Os homens poderiam  ter quantas mulheres pudessem sustentar. Os homens, claro! As mulheres ainda são apedrejadas por adultério. E os judeus, provavelmente não queriam ter mais de uma mulher para também não dividirem a sua riqueza. O que faz com que muitas pessoas continuem infelizes e vivendo de aparências em relações já falidas. E aí?

Bem, separar não é uma coisa é fácil. Uma mulher precisa ter muita coragem para se separar. (Quando eu falo mulher, é porque a maioria dos pedidos de separação partem delas.) Até ´pouco tempo atrás, o homem tinha o DIREITO de matar uma esposa infiel. Querendo ou não, uma mulher cristã tinha a obrigação de se submeter a todos os caprichos do marido. Nem satisfeita sexualmente ela era, pois o sexo era apenas para a procriação. Prazer era nos prostíbulos, onde eles tinham as suas preferidas.E com isso, matou-se e morreu-se muito em nome do amor.E do prazer.

Com a legalização do desquite, o advento da pílula, os diretos da mulher, ganhamos também o direito ao prazer. Teoricamente. Uma mulher separada  ou muito “pra frente”ainda é encarada como uma ameaça por aquelas que acreditam que só existe vida com um homem ao seu lado. Mal sabem elas que os maridos já tem as suas escolhidas em prostíbulos, locais de trabalho, no futebol das quartas…E o que uma mulher separada menos quer é ser amante de alguém. Ela teve a coragem que a outra não teve e não vai mais se submeter.E é aí que entram os novos relacionamentos.

Ok, a monogamia pode não ser natural. E em tempos de whatsapp e tinder, se tornou quase impossível. E não ter compromisso com ninguém é muito mais fácil. Não é necessário muita dedicação, conhecer família, ser aprovada pelos amigos. Cada dia é uma farra diferente, uma pessoa que supre uma necessidade diversa, um papo novo, um novo perfume, um beijo cheio de novidades. Pra que mais?

Mas também tem as suas desvantagens: Você vai precisar de mais tempo, mais dinheiro e mais memória. Tempo para se dedicar –  pelo menos um pouco – a várias pessoas, grana para se divertir com todas elas e memória para não trocar os nomes. Sugiro dar o mesmo apelido carinhoso, facilita bastante. E as datas importantes – caso haja – podem ser arquivadas no celular. Mas isso é o de menos. Com toda essa tecnologia, não tem como disfarçar muito. Ou evitar encontros desagradáveis.Será que o outro vai entender essa poligamia? Será que essa conversa realmente acontece quando se escolhe essa vida? Só se for única e exclusivamente sexo. E nada mais. Mesmo?

Com todas as justificativas e facilidades, será que é isso mesmo que queremos? Será que perdemos a necessidade de pertencer a outro? Não no sentido de posse, mas no sentido de ter alguém. Para o antes e o depois do sexo. Para assistir um filme ou simplesmente conversar. Para contar como foi o dia, dividir as alegrias e superar as tristezas. Ter alguém que se encaixe da coxa ao coração. Onde isso se perdeu? Será que só o tesão conta? Ou será que já separamos tanto que queremos o amor em um e o sexo em outra? Pode coexistir uma pessoa para cada necessidade?

Suponhamos que sim. Temos alguns relacionamentos e cada um deles nos supre de determinada forma. E todos sabem de todos. E aí, a mente nos trai. Imaginar que na noite anterior o homem que deita ao meu lado teve seu corpo suado junto a outra mulher. Sentir o beijo da sua mulher e lembrar que na hora do almoço ela pode ter encontrado com o outro e dado uma escapado para o motel. Talvez por isso ela esteja tão bonita naquela noite. Você encara?

SIM? Então preste muita atenção em apenas mais um coisa: Lembra da monogamia alternada que comecei a falar no começo do texto? PRATIQUE-A! Ela nada mais é do que você se dedicar a uma pessoa de cada vez. Quando você está com alguém, seja por sexo ou amor, desligue o celular, esqueça o mundo lá fora e olhe nos olhos. Ouça o que essa pessoa tem a dizer. Beije com a alma. Seja inteiro, mesmo com vários pedaços soltos por aí. Seja verdadeiro em cada relacionamento que tiver. Quem sabe um dia você consiga unir todas essas partes que você tanto procura em uma única pessoa. E talvez essa valha a pena.Na monogamia alternada ou na simples rotina do dia a dia.

Boa  sorte!

 

 

 

Nota de Esclarecimento

Não sou feminista nem machista. Mas tem coisas que me tiram do sério. E uma delas é o homem ainda achar que é absolutamente indispensável nas nossas vidas e isso ser reforçado de todas as maneiras e em todas as idades do dito macho.

Ser uma mulher sozinha/solteira em uma sociedade patriarcal e ainda  – sim – muito machista, chega a ser engraçado. Para mim, que adoro uma polêmica. Mas não é nada cômico uma mulher ser humilhada, estuprada ou desprezada pelo simples fato de ser mulher.

Estou parecendo radical? Você acha que isso não existe mais? Infelizmente tenho escutado frases absurdas que me fazem refletir sobre o quanto somos realmente subdesenvolvidos. E elas saem da boca de homens que até parecem bacanas, interessantes, mas que insistem em negar à mulher o prazer pelo prazer . Que dizem coisas sobre o tal sexo frágil advindas de mera especulação, oriundas de uma criação onde a mulher nada era sem um macho do lado e só fazia sexo para engravidar. Prazer? Era coisa de puta. Ainda não acredita? Então espia as pérolas que tenho ouvido:

PRIMEIRO ATO

Meu último réveillon resolvi passar sozinha. Meus filhos viajaram, estava sem muito ânimo para festas e escolhi um hotel bacana, na beira da lagoa, para curtir os fogos e a minha companhia. Pedi uma cama de casal para poder me esparramar e lá fui eu para o meu refúgio. Quando cheguei no hotel, o recepcionista, muito atencioso, confirmou o meu quarto, a cama de casal e disse:

– Tudo certo para a senhora e seu marido!

-Não, sou apenas eu.

– Mesmo? Que pena!

-Não, não tem nada de pena. Tá ótimo!

Ele ficou tão sem graça que não sabia mais o que falar. Esboçou um sorriso e fui para o meu quarto, achando graça. Mas incomodada com o fato de ter que ter alguém. Todo mundo que estava hospedado no hotel estava com alguém. Héteros ou homos,  vinham como se estivessem destinados a arca de Noé, em pares. E percebi que a minha presença incomodava. Afinal, quem é essa louca que passa um réveillon sozinha? De onde ela vem, quais são seus hábitos? Será pacífica? Subi no meu salto imaginário e continuei a minha festa particular. Não dei maiores informações sobre a minha personalidade extravagante e acredito ter sido o grande mistério do réveillon dessas pobres almas.

SEGUNDO ATO

Em uma roda de amigos, todos casados, o papo traição surgiu. Lógico que começou entre eles, eu era uma mera espectadora. E o negócio era o seguinte: O homem tem, sim, permissão para trair, afinal, depois de 20 anos de casado, o tesão já acabou e etc e tal. Não me contive e disse:

-Então a esposa também pode trair se tiver perdido o tesão no marido?

Olhares estupefatos. Acho que eles nunca escutaram as palavras esposa e tesão em uma mesma frase. E aí começo a ouvir os absurdos:

-Mulher não trai por prazer, ela tem que se envolver com o homem, ter um sentimento, um relacionamento…

OI?

-Desculpa, mas tenho que discordar. Somos tão ligadas ao sexo quanto vocês, porque isso é tão difícil de admitir?

-Só se for para se vingar que a mulher trai só pelo prazer…

Ou seja, o prazer não é pelo sexo, mas pelo ato de pagar na mesma moeda!

E aí eu fui percebendo o porque tantas mulheres nunca tiveram um orgasmo, porque tem vergonha do próprio corpo, porque simplesmente não tem coragem de pedir essa ou aquela posição e sublimam as suas fantasias. Porque elas ainda acham que NÃO TEM DIREITO!

GRANDE FINAL

Então, vamos esclarecer:

SOMOS SIM, COMPLETAS E FELIZES SOZINHAS

TEMOS TANTAS  – OU MAIS  – FANTASIAS DO QUE VOCÊS

GOSTAMOS DE SEXO E PODEMOS TRAIR ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE PORQUE UM HOMEM DESPERTA O NOSSO TESÃO

NÃO PRECISAMOS DE VOCÊS. PRECISAMOS DE UMA CARREIRA E DE DINHEIRO

AH! E O QUE VOCÊS NÃO ADMITEM MESMO: NÓS GOZAMOS TANTO OU ATÉ MAIS DO QUE VOCÊS. E se isso ainda não aconteceu com você, bebê, é porque você é MUITO RUIM!

 

 

 

 

Primeiros encontros

Existe sempre um torpor que ronda o primeiro encontro. Leve. Uma semi embriaguez. Desde o primeiro roçar de bochechas, a mão tímida na cintura, o desajeito dos beijinhos. 1,2? Ah, 3 é para casar. Já?

E não importa o lugar, quando e nem como. Desde sempre, o primeiro encontro é um marco. E pode ser o início de tudo ou apenas mais um. Pode se tornar aquela história engraçada que contamos aos amigos e talvez para os netos de como tudo começou. Ou simplesmente esquecido dentre tantos outros primeiros encontros.

Mas ele sempre terá um algo a mais. As mãos que não sabem por onde vão, os assuntos que se desencontram, coxas que se tocam..

– Desculpa…Rs..

– Imagina!

Os olhares que fogem de um encaramento e se viram contemplando o céu ou procurando assunto em situações corriqueiras… Ah, primeiros encontros!

Quando achamos que o destino está ali, tramando, só esperando para unir os nossos corpos…Ah, pobres almas! Ficamos como bobos inocentes durante a arte da conquista. O homem, como sempre, mostrando seus atributos como um belo pavão. Carros, viagens ou conhecimento. Vale tudo para impressionar. E a mulher conferindo o decote para não parecer vulgar demais nem pudica de menos, ao mesmo tempo que fica imaginando qual prato é mais elegante para ser devorado, se algum vai deixar fiapos nos dentes…Meu Deus, que prato é esse? Se eu pedir salada será que ele vai me achar fresca? Mas se encarar um churrasco, vou parecer um peão! E para beber? Tenho que me controlar, duas taças de vinho no máximo! Tequila nem pensar, não respondo por mim!

Ah, primeiros encontros…Dia de sorrisos amarelos, mãos perdidas, coxas insistentes…

– Desculpa de novo!

-Tô adorando…

Aquele calor que invade, o perfume novo que inebria os sentidos, olhares se cruzam, pensamentos voam…E cada frase pode ser analisada, arriscada, comedida. Será que eu falo que a minha família é maluca? Que eu quero ter três filhos? O que eu falo para parecer mais normal? E afinal, quem é normal?

Ah, primeiros encontros…

No fim, toda a apreensão passa – seja pelo tempo ou pelas taças de vinho – a noite se torna perfeita, mas aí vem a dúvida: Beijo ou não beijo? De leve ou demoradamente? Sinto a pele macia das costas em um movimento rápido ou me atenho a levar a mão dele até a minha cintura impedindo-a de descer? Posso mais? Suspiro em sua orelha e me afasto. Quero mais. Mas não agora. E os sonhos se tornam leves enquanto o perfume dele na sua pele faz tudo valer a pena.

Ah, primeiros encontros…

E o depois? Aquele olhar incessante no telefone, esperando qualquer símbolo aparecer para mostrar que há, sim, uma nova mensagem. Que ele quer de novo. Que você não pareceu tão maluca assim. Que entre o primeiro beijo e o último suspiro, alguma coisa você fez certo. Ele te escolheu para um próximo dia de mais arrepios na nuca. De mais perfumes deliciosos e mãos perdidas. Não. No segundo encontro as mãos já se encontram. E as coxas também.

 

 

Apenas o bem

Uma vez ouvi uma frase que dizia que devemos fazer uma boa ação por dia. Não por religião, consciência pesada ou obrigação. Apenas para tentar fazer do mundo um lugar melhor. E isso nem sempre nos parece fácil, mas percebi que precisamos estar abertos. A boa ação não precisa ser complexa nem demorada: dar o lugar no onibus, uma informação correta, um sorriso de bom dia tem o poder de transformar o dia do próximo. E hoje tive mais uma vez essa oportunidade. Estava subindo a rua Carangola e um velhinho vinha atrás, com uma sacola nitidamente pesada. Olhei uma vez, duas e percebi que provavelmente ele ia continuar subindo. Me aproximei:

– O senhor quer ajuda?
– Não precisa. ..
– Faço questão!
– Então, vc carrega de uma lado e eu do outro.

Achei o máximo, afinal ele era um senhor, mas antes de tudo, um homem afinal. Peguei uma alça, ele a outra e fomos subindo. E começamos a conversar. Fiquei sabendo um pouquinho da sua vida, sua esposa doente, seus filhos com brilhantes carreiras, enquanto ele insistia em duvidar que eu tinha 41 anos e dois filhos:

– Você não tem mais de 20 anos!

Percebi claramente que a sua visão estava comprometida além da sua audição. Mas fiquei absolutamente lisonjeada em receber um elogio tão desinteressado. Afinal, era um senhor de 85 anos!
A sua dificuldade em andar era também nítida e por várias vezes o segurei para não tropeçar nos péssimos passeios do bairro. E a conversa foi nos aproximando, o caminho ficando curto, a sacola leve e a alma plena. Me desviei um pouco do meu destino, mas recebi tantos elogios, desejos de boa sorte, saúde e agradecimentos sinceros que não me importei a mínina.

– Você está fazendo uma caridade, Carol!
– O senhor também!

Afinal, quem nos dá a oportunidade de ajudar, faz um bem ainda maior do que nós mesmos. Pense nisso e esteja aberto para o que virá. Com certeza você vai ganhar muito mais!

Amor, amora

Ainda não inventaram uma palavra que me assuste e me agrade tanto e ao mesmo tempo do que o tal “Amor” dito em voz rouca, de homem macho, no meio do nada ou entre lençóis desarrumados. No telefone – hoje whatsapp – em um descuido, uma frase solta, esse tal “Amor, que dia vou te ver?” mexe com todas as minhas frágeis emoções e tem a descabida força de fazer surgir sentimentos até então absolutamente escondidos por precaução ou puro medo.

Por mais que as coisas hoje estejam superficiais e claras – até demais – essa pequena palavra ainda tem o poder do romance e daquilo que já quase esquecemos: O tal relacionamento. E me vejo boba de novo quando ouço de um ilustre desconhecido que apenas me beijou demoradamente esse nome composto da mais pura singeleza.

 E ele ainda faz mais. Consegue transformar o Amor em Amora, que pode ser apenas uma frutinha vermelha e meio azeda – sensual e real – como o feminino de Amor, denominando um par, outro eu, em total sintonia com o tipo masculino, singular e da espécie humana que ele é.

 E volto a ser menina, com as mais puras fantasias – e outras impuras loucuras- na vontade sensual e amorosa de ter meu corpo se entendendo com outro corpo, enquanto a minha alma me avisa, quase gritando: Isso é só sexo, louca!!! As almas não se entendem, lembra???

 Não, elas não se entendem. Os corpos sim, molhados, suados, perfeitos em total sintonia. Não precisam de nomes, endereços, depois. Querem apenas a ilusão do Amora no ouvido e um gozo tão forte que mais parece um mar de estrelas. Estrelas tatuadas em meu quadril que ainda espera um amor que esfrie a espinha e aqueça o ventre. Em almas que se entendam. Ou não.

Tinder e eu

Há algum tempo atrás resolvi entrar no Tinder depois de ver amigos e amigas se deixando levar por essa onda e marcando encontros quase diários com ilustres desconhecidos. Fiquei absolutamente curiosa em entender o mecanismo por trás dessa fissura e baixei o tal aplicativo. Coloquei uma foto bacana, uma descrição leve e comecei a brincar de incluir e excluir pessoas da minha vida.

E é lógico que o primeiro quesito foi a aparência, senão o aplicativo não teria tantas fotos. Idade e local também foram importantes, afinal, não queria me aventurar com rapazes que não sabem o que foi a febre da discoteca ou, ao menos, o que significa mullet. Não teria conversa com alguém muito mais novo do que eu. Talvez só sexo. E quanto mais perto, mais fácil, afinal o trânsito não ajuda, muito menos o preço da gasolina para o tal ficar percorrendo quilômetros para me ver.

Ok. Feito isso, comecei também a receber likes e o mais interessante era quando os dois se curtiam. Baseado em que? Aparência, gostos, amigos em comum, algo que facilita a vida nesses tempos modernos. Gosto de jazz, você também? ÓTIMO! Gosta de funk? PRÓXIMO! E o bate papo rolava, normalmente em duas ou três frases seguida do pedido do whatsapp. Por que? Lá é melhor para conversar. Ok

E fui para o whatsapp com alguns homens até interessantes e vou contar exatamente o que me fazia desistir e até bloquear alguns. O primeiro item da minha lista sem dúvida é o erro de português. Pode parecer frescura, mas erros grotescos tiram completamente o meu tesão. Papos vazios também , quando o cara faz uma pergunta e não tem mais nada para acrescentar. É como se aquele feno dos desenhos animados percorresse o meu whatasapp:
– O que você faz?
– Trabalho com moda
– ………………………

O mais louco eram os que se achavam. Recebia recados assim:
– Estou agora no Pátio Savassi, vamos encontrar?
Nem se fosse o Brad Pitt. Primeiro que o encontro é uma arte e merece – e precisa – ser tratado como tal. Existe uma preparação, um envolvimento, um antes para ter o durante e o depois. Segundo, quem esse tipo de cara pensa que é para imaginar eu saindo da minha casa correndo para encontra-lo sei lá aonde? É muito ego!

O papo mais legal foi com um cara que foi sincero do começo ao fim e se colocou de uma forma super bem humorada. Para não ficar com conversa fiada ele fez um resumo interessante da própria vida e deixou em aberto para que eu falasse da minha. Chegamos a nos encontrar, mas tenho que confessar que não rolou química. Poderíamos até ser grandes amigos, mas ele simplesmente me ignorou depois desse dia. Deve ter as razões dele. Ou a próxima foto foi mais interessante.

O outro que conheci foi mais além e tivemos um pequeno relacionamento. Beijo bom, saímos algumas vezes, até conheci o filho e tivemos uma conexão bacana. Até o dia em que ele começou a falar mal de um dos lugares que mais amo…
– Maleta é lugar de gay e doido!
Oi? Então eu devo ser muito gay e muito doida, pois conheço todo mundo naquele lugar! Não gosto de pessoas preconceituosas e um homem que não convive bem com homossexuais – e gente louca – não cabe na minha vida. Simples assim.

No meio disso tudo, fui questionada por um ex usuário do Tinder sobre o que as mulheres querem lá. Acho que, acima de tudo, companhia. E não só as mulheres. Os homens estão cada dia mais carentes. O motivo pode ser só sexo, namoro ou até casamento. Mas no fundo, todos nós queremos alguém. Virtual ou não.

– Mas porque as mulheres somem? – Ele me pergunta curioso.

Por todos esses motivos. Talvez não rolou uma química, seu papo é ruim ou simplesmente a foto seguinte era mais interessante. Tudo ficou muito superficial e simplesmente não consegui achar saudável ficar selecionando pessoas a bel prazer e partir de um para outro como se fossem fichas catalogadas. As coisas não funcionam assim e talvez esse seja o grande motivo dos relacionamentos durarem menos do que as mini séries. Se um não me agrada, para que perder tempo se tem uma próxima foto me esperando com novas e – talvez – boas oportunidades?

No fim, cheguei a conclusão que não quero começar algo através de aplicativos para o amor, mesmo tendo notícia de um bebê que recebeu o nome de Tinder por ser fruto de um relacionamento que começou lá. Excluí a minha conta – nem adianta me procurar – pois ainda acredito no olho no olho, no frio na barriga, no “aceitar os defeitos” e construir algo real juntos. Sou do tempo em que ficávamos ao lado do telefone fixo – alguém ainda tem isso? – esperando aquele convite para sair no sábado à noite. E, se não rolasse, ainda tínhamos a chance de encontrar nas festas e eventos – que na época eram poucos – e esbarrar na pessoa dos sonhos para conseguir a tão esperada atenção.

É, acho que os 40 me deixaram nostálgica. Queria voltar a acreditar em tudo que faz com que um relacionamento realmente perdure. Mas em meio a Tinder´s, whatsapps e traições, acho difícil. Basta um clique para marcar um encontro, uma imagem para desejar o outro, um vacilo para perder o interesse. E no meio de tanta informação nova e outras chances, aposto nos meus gatos. Eles ainda são a melhor opção.

DICA:

MULHERES: Colocar fotos sensuais no Tinder dá – sim – a entender que você só quer sexo e deve até cobrar por isso. E exigir demais do homem, tipo: Quero um homem sincero, carinhoso, que tenha bom humor, seja alto, magro, com olhos claros e goste de cachorro…vai afugentar bons pretendentes. Ninguém é perfeito, nem no mundo virtual muito menos no real. Isso vale para ambos os sexos, viu rapazes com tanquinhos de fora?

HOMENS: Antes de tirar a foto para colocar no Tinder se assegure de que a aliança não está aparecendo. E lembre-se: Se você está no aplicativo, a amiga da sua esposa – ou até mesmo ela – também pode estar. No mundo virtual não tem para onde correr, bebê!

AMBOS: Marquem sempre o primeiro encontro em lugares públicos e movimentados. Avise um amigo ou parente onde vai e, se possível, mande uma mensagem com a placa do carro e nome do pretendente. Se for rolar algo a mais, não se esqueça da camisinha. Segurança sempre!

O que existe depois do não?

Que a vida é feita de altos e baixos, todos nós sabemos. Mas que as vezes ela parece uma montanha russa, temos até medo de lembrar!

Mas é assim que ela nos transforma, nos vira de cabeça para baixo, do lado do avesso e mostra que  – sim – temos que enveredar por outros rumos.

Dá um frio na barriga exatamente como se o carrinho da montanha russa estivesse subindo bem devagarinho, pronto para ser lançado na primeira pirueta, naquela parte em que não enxergamos nada além do vazio.

E a vida é assim: Nos jogamos em um imenso vazio. O que vai acontecer no novo emprego? Será que vamos ser aceitos, bem vindos? E o novo amor? Será que o beijo vai ser bom, o sexo vai fazer a gente ver estrelas, o cheiro vai ficar marcado na pele? E os filhos? Tão diferentes, inesperados, surpreendentes…Tudo nos espera como um grande e novo despertar.

E essa é a graça de tudo. É o não saber. E se surpreender com cada boa nova. Afinal, por mais que a montanha russa desça e se jogue no nada, ela sempre tem força para se reerguer e começar tudo de novo. Que a vida seja uma eterna montanha russa…E viva o frio na barriga!

 

E é sorrindo para a vida que ela vem me sorrindo de volta…

Sou absolutamente privilegiada por trabalhar em um dos lugares mais interessantes de BH: o centro dessa cidade. Aqui se encontra arte, cultura, moda, história e cantinhos deliciosos com uma surpresa a cada dia.

E um dos meus favoritos, sem dúvida nenhuma, é o Mercado Central. Além de um mundo de cores e sabores, o Mercado tem um encanto próprio que contagia a todos. E isso se reflete diretamente no atendimento das lojas. Quem trabalha no Mercado tem sempre um sorriso aberto, uma alegria incontida, uma boa conversa na ponta da língua.

Tenho lá bons amigos desde sempre e levo vários outros para desfrutar desse mundo diferenciado. Seu Chiquinho da loja de brinquedos, os meninos do Bar da Tia, os frequentadores assíduos, todo mundo vira um só. E hoje, coloquei mais uma na minha lista de pessoas que me cativam. A filha da Hana,do Empório Árabe D’Hana, é um exemplo de tudo de bom que o Mercado tem. Lá você encontra um quibe perfeito, sucos exóticos de rosas e romã e pessoas para te atender com aquele sorriso típico de quem tem alegria de viver e de servir bem.

Em poucas palavras, criamos uma identificação imediata, uma troca boa de energia e continuamos nossos caminhos com a certeza de que temos muito a aprender e a agradecer. E que esse aprendizado pode estar em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Ele só espera que estejamos abertos. E mais uma vez, percebo que a vida só nos sorri quando sorrimos de volta. E o dia fica mais bonito quando enxergamos essa beleza. Experimente!

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Homens casados…TREMEI!

Se existe uma coisa que me irrita profundamente é alguém zombar da minha inteligência. Mesmo. E tem certas situações e desculpas que seriam cômicas se não fossem ridículas.Isso acontece sempre quando começamos um relacionamento com um homem comprometido, casado ou não. Nenhuma apologia a isso, cada um tem a sua cabeça. Mas em algum momento da vida, toda mulher vai se encontrar nessa situação. De maneira consciente ou não.

Em primeiro lugar, quando a gente se envolve com alguém e não perguntamos sobre a sua situação é por que não nos interessa. Ou melhor: Por que a gente sabe e não se importa. Uma coisa que ainda não inventaram foi homem que soubesse mentir. Não a ponto de realmente nos enganar. E nada consegue enganar os nossos instintos.

Afinal, se a gente se aventura em um barco desses, é porque quer. Quer apenas uma aventura. Não sei por que isso parece tão extravagante assim. Quer coisa melhor do que um homem com uma culpa imensa sobre as costas querendo nos agradar? Ele vai nos levar onde quisermos, pagar a conta, ser o melhor dos cavalheiros e ainda fazer o melhor sexo da sua vida. Afinal, tudo que é proibido é muuuito mais gostoso.

Detalhe: O homem casado vai sempre passar no caixa rápido antes para pagar a conta do motel sem deixar rastros. Obvio.

Outra coisa que também é obvia é ele estar sempre ocupado nos finais de semana e feriados. Mas isso não é problema, muito pelo contrário: Nos dá a oportunidade de aproveitarmos os nossos dias em baladas loucas ou passeios com os filhos, enquanto ele mente para si mesmo achando que nos convence com desculpas como: “Perdi meu voo” ou “Vou aproveitar o final de semana para escrever um aditivo.“ Ah, tá!

Suas saídas serão sempre de segunda a quinta em lugares que não despertam quase ou nenhuma suspeita. E a nossa apresentação será sempre vaga, tipo:

– Essa é fulana. E só.

Todas as informações sobre sua vida pessoal serão também vagas e vamos saber apenas aquilo que ele quiser que saibamos. Nem mais nem menos. E isso pode ser libertador, afinal, quem quer dividir chatice? Como temos apenas o lado bom da coisa, pra que saber nome de mãe, pai, problemas de família? Isso é para compromisso sério, não para amantes.

E ser amante é ser linda, cheirosa e disponível – de segunda a quinta feira – para esse homem que realmente acha que nos engana. Que realmente acha que a sua esposa não sabe o que ele anda fazendo e que está em casa esperando ele voltar. Doce ilusão. Ela também trai, mas sem a menor culpa, enquanto ele se sente o dono do mundo em momentos fugazes em que possui o nosso corpo e administra seu tesão. Mas é apenas um momento, querido. Que é ótimo para nós e que satisfaz todas as suas necessidades de macho alfa. Mas saiba: nessa história, talvez a única vítima seja você. Fica o aviso!

Dá para ser sincero?

Relacionamento é realmente algo complicado e fica ainda pior quando não existe sinceridade por alguma das partes. Afinal, será que é pedir muito um pouco de verdade na hora H? Ainda por cima hoje em dia que tudo está tão fácil e de certa forma permitido. Não é errado sentir apenas tesão por uma pessoa e não querer apresentar para a família ou levar para o aniversário do primo. O que não vale é desculpa esfarrapada.

Ou seja: Você passa um final de semana perfeito, sai, conversa, o beijo é bom, o cheiro delicioso e até o sexo vale a pena. Vocês dormem de conchinha, o dito te leva em casa, manda umas duas mensagens durante a semana e…some. O pior é que as desculpas se acumulam de maneira ridícula: Correria, cansaço, puta que pariu. E mesmo falando que tá com saudade, a pessoa  não se manifesta. O fim da picada é quando passa o final de semana e vocês não se encontram.

E aí? A única opção digna é você simplesmente ignorar a existência mesquinha dessa pessoa. Não dê mole no WhatsApp, não curta nada do Face e se mostre sempre linda e feliz. E nem pense em ligar depois de umas cervejas. VAI DAR MERDA. Respire fundo e lembre-se: O mundo dá volta, amiga, e com certeza a saudade vai bater. A hora da carência chega e pode apostar: ELE VAI LIGAR. Mas você vai estar tão absolutamente ocupada e comprometida com um bofe tão maravilhoso que as desculpas ridículas serão todas suas. E a primeira vai ser – parafraseando Clarice Lispector “Não tenho tempo para mais nada. Ser feliz me consome muito.”

DICA DA CAROL: Tenha sempre um plano B. Ou melhor, um bofe B. E nunca, nunca mesmo – salvo em casos de doença grave – sacrifique o seu sábado ou qualquer outra noite feliz – esperando o boy magia aparecer. DEIXA DE SER TROUXA!